Universidade Federal de Santa Catarina debateu transexualidades e patologização das identidades trans

05/11/2010 07:01

       

 

Ocorreu na última quarta-feira, dia 03 de novembro, na Universidade Federal de Santa Catarina,  o debate sobre "Transexualidades e Patologização das Identidades", promovido pelo Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades (NIGS), coordenado pela professora Miriam Pillar Grossi. Participaram do debate Simone Ávila, doutoranda interdisciplinar em Ciências Humanas da UFSC, que estuda transexualidades masculinas, Kelly Vieira, presidente da Associação ADEH - NOSTRO MUNDO (Associação de Travestis e Transexuais da Grande Florianópolis) e um acadêmico de Ciência Sociais de uma universidade federal, transhomem.

 

O debate insere a UFSC na campanha internacional pela luta contra a patologização das identidades trans, Stop Patologização das Identidades Trans 2012.

 

Simone Ávila apresentou os principais conflitos e dilemas que envolvem o tema,  na perspectiva do sociólogo espanhol Gerard Coll-Planas, também ativista do movimento trans: não há consenso dentro da própria comunidade trans acerca das reivindicações da despatologização; a abordagem e a conveniência da luta em distintos contextos sociais, por um lado a América Latina e, por outro, Estados Unidos e Europa; o ativismo trans estabelece um interessante debate com o feminismo a partir do momento em que afirma que a questão da patologização é um exemplo de reprodução de sexismo, e, portanto, se constitui em uma causa comum, discutindo sobre o sujeito político do feminismo; e o outro conflito que há nesta área é o discurso médico dominante.

 

Para Kelly Vieira, a patologização trans obriga as pessoas trans a se encaixarem em uma norma heterossexual e a produção da maioria das pesquisas acadêmicas reforça esta idéia. Para ela, o que deve ser debatido é a individualidade e subjetividade de cada pessoa e diz que os programas de mudança de sexo também obrigam as transexuais a adotarem uma "identidade feminina da mulher branca burguesa, não dando espaço para outras manifestações ou expressões da transexualidade que não se encaixam nos modelos binaristas que existem."

 

O acadêmico de Ciências Sociais questionou a produção de identidades fixas e o processo transexualizador do Sistema Único de Saúde: "não é justo e digno você ser taxado de doente para poder acessar este serviço e fazer as transformações que você deseja e ser o que você sempre foi. É uma barbárie! Nesteprogramas você tem de ser obediente e não é respeitado o seu direito de escolha. Despatologizar a transexualidade não siginifica não ter acesso à saúde e sim ter a chance das pessoas serem reais".


Crie um site com

  • Totalmente GRÁTIS
  • Centenas de templates
  • Todo em português

Este site foi criado com Webnode. Crie um grátis para você também!