Cirurgia para transhomens deixa ser experimental no Brasil

03/09/2010 07:13

 

A cirurgia que permite aos homens transexuais remover seus órgãos sexuais femininos deixou de ser experimental no Brasil a partir de ontem, 02 de setembro de 2010, com a publicação no Diário Oficial da União de uma resolução do Conselho Federal de Medicina que regulamenta a intervenção.

 

A resolução estabelece normas para o procedimento cirúrgico de "adequação do fenótipo feminino ao masculino" consistente na remoção do útero, do ovário e das mamas, mas ainda não o da construção de pênis, que seguirá sendo experimental.

"Consideramos que esse procedimento (de construção de pênis) procura resultados estéticos e funcionais ainda questionáveis e por isso será mantido como experimental", segundo o relator da resolução do conselho, Edvard Araújo, citado em comunicado divulgado pelo organismo. É importante sempre lembrar que este tipo de cirurgia já é realizado em outros países há trinta anos.

 

De acordo com a entidade, a partir de hoje qualquer hospital público ou privado poderá fazer a cirurgia desde que o interessado demonstre que atende aos critérios estabelecidos, entre os quais sentir-se incômodo com seu corpo feminino.

A cirurgia de mudança de sexo para homnes trans era realizada apenas por clínicas particulares e em caráter experimental.

Para as mulheres transexuais, esse tipo de procedimento já é regulamentado há vários anos e desde 2008 é oferecida gratuitamente nos hospitais públicos.

Segundo as normas estabelecidas pelo Conselho Federal de Medicina para o caso de homens trans, o interessado no procedimento precisa ter 21 anos de idade e um diagnóstico médico que indique que é portador de transgenitalismo (rejeita seus órgãos sexuais femininos) e que está em condições físicas de realizar a operação.

Assim como no caso das mulheres trans, os transhomens poderão submeter-se ao procedimento depois de passarem por um processo de acompanhamento médico de dois anos com uma equipe médica multidisciplinar, formada por um cirurgião, um endocrinologista, um psicólogo e um assistente social.

O Conselho Federal de Medicina entende que o homem transexual tem um desvio psicológico que a impede de aceitar seu corpo e essa rejeição pode levá-la a praticar mutilações e até o suicídio.

A resolução permite superar um impedimento jurídico que considera as cirurgias de remoção de órgãos genitais pode configurar crime de mutilação.

O presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, lembrou a decisão e disse que evitará novos casos de mulheres (transhomens) que se mutilavam por rejeitar seu corpo.

"A medicina pode ajudar a construir a cidadania independentemente de sua identidade de gênero", segundo Reis.

O Ministério da Saúde aprovou em agosto de 2008 um decreto que permite a realização gratuita de cirurgias de mudança de sexo para mulheres transexuais em hospitais públicos.

 

Chamamos a atenção que a notícia vinculada no link abaixo utiliza INADEQUADAMENTE    os termos relativos aos transexuais, valorizando o sexo biológico e não a identidade de gênero, como seria mais adequado politicamente!

 

Fonte: br.noticias.yahoo.com/s/02092010/40/mundo-brasil-regulamenta-cirurgia-permite-mudanca.html


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